Sim, apesar da derrota, perdemos de cabeça em pé e assim, agradeço. Agradeço ao time que trouxe de novo o prazer de ser tricolor, dez anos depois do fato mais negro da nossa história.
Agradeço ao Conca pela raça, por ser o nosso motor. Agradeço ao Thiago Neves pelos 3 gols da final, por não ter se omitido quando foi necessário. Ao Washington pelos gols feitos, pelos jogos disputados no sacrifício, por ter seguido em frente mesmo quando ficou 8 jogos sem marcar. Ao Junior César por ser um gigante diminuto em campo. Ao Fernando Henrique, ao Thiago Silva, ao Luiz Alberto e ao Roger pelos gols não levados. Ao Cícero e ao Arouca, pela raça, pela disposição, pela doação ao grupo.
Ao Gabriel e ao Igor, bem, a única coisa que posso agradecer é aos fios brancos, às rugas e às úlceras que ganhei graças a vocês. Ah, agradeço ao Igor por ser tão ruim, tão ruim mais tão ruim que nem entregar jogo foi capaz.
Ao senhor Ricardo Lucas, vulgo Dodô, bem só agradeço se este for embora. Seja para o Atlético Mineiro, seja para o Al Jazzira, seja para a madre que lo parió, seja para a Ponte de Paris. Ontem ele comprovou o que já se sabia: a sua falta de caráter e mostrou, que alem disso, é sem duvida alguma um burro.
Sim, um burro. Este senhor tem 34 anos, nunca ganhou nada na vida e jogou a chance de entrar para a história de um grande clube brasileiro como o autor do gol do título da Libertadores. De, daqui há dez anos, um menino perguntar para o pai porque se chama Ricardo e o pai, orgulhoso, responder: “Porque, meu filho, à dez anos, um jogador chamado Ricardo, conhecido como Dodô, fez o gol do título da Libertadores do nosso Fluminense.”
Não inventei essa história sozinho, mas baseei numa que ouvi na fila do estádio ontem, onde um senhor, morador de Natal, me contou que seu filho de 13 anos se chama Renato por causa do bendito gol de barriga do Renato Gaúcho à dez anos atrás.
Foi gente como essa que o senhor Ricardo decepcionou, gente vinda de Natal, Nova York, Suiça e Uruguai. Que posso dizer? Você perdeu o bonde da história, Dodô e este não volta mais. Ninguém é Dodô e nem nunca será. Mas o Fluminense? O Fluminense é maior que isso, nós descobrimos isso a partir de 1998, quando caímos para a série C e hoje chegamos à final de uma Libertadores, dez anos depois. E não é nenhum jogador mau caracter, nenhum arbitro argentino mal intencionado, não é nenhum time miserável do Equador que nos tirará isso.
Por fim, agradeço aos quase 80 mil tricolores que fizeram a festa ontem no estádio. Não se abatam, levantem a cabeça. Nós somos maiores que isso e ninguém nunca poderá nos roubar isso.