Acho que não é segredo para ninguém que acompanha esse blog que eu faço medicina. Atualmente, me encontro no antepenúltimo período do curso, fazendo o que se chama de “internato”, que é, na verdade, uma época da faculdade onde você quase não tem mais aula teórica, somente prática, atendendo pacientes com a orientação de professores e supervisores.
Pois bem, atualmente me encontro fazendo o internato de ortopedia, mais precisamente ortopedia infantil, no Hospital São Zacharias. “Ótimo”, pensei, “é com criança, o que gosto de lidar e ortopedia infantil não deve ter nada grave.”
Ledo engano meu. O dia a dia até que é light, é ajudar crianças a ficarem com a perna reta, é corrigir pé torto, em fim, coisas legais pois você a alegria da criança e dos pais quando o tratamento é bem sucedido. Mas a moeda tem dois lados.
Por acaso vocês sabem o que é uma síndrome de pseudo-hipertrofia muscular, também conhecida como “síndrome do Popeye”? É uma doença que, embora os músculos da criança comecem a inchar (a hipertrofiar), eles se tornam cada vez mais fracos (por isso pseudo), assim uma criança que com um ano andava normalmente, com cinco pode estar com dificuldades sérias de locomoção e o mais frustante é que essa síndrome é progressiva e não tem cura, assim, com o tempo, a criança ficará cada vez mais fraca e, fatalmente morrerá pois o coração também é um músculo e também é atacado por essa síndrome.
Decepcionante, isso, não? Dá uma sensação de total inutilidade, saber que a única coisa que você pode fazer é administrar remédios sintomáticos. Talvez tão decepcionante quanto isso é uma mãe que resolve por em risco quase um ano de tratamento do filho porque ele se encontra com a perna engessada para corrigir um joelho torto e ela quer viajar e não quer levar ele engessado. Viagem ela pode fazer depois mas arrumar a perna do filho tem que ser o mais rápido possível pois quanto mais tempo levar mais difícil fica corrigir.
Este é o lado ruim da medicina mas, como eu disse antes, a moeda tem duas faces e tudo compensa quando você houve uma mãe falar que antes tinha vergonha de botar a filha de shortinho pois as pernas dela eram tortas mas que agora o marido dela já fala em comprar um porrete para proteger as pernas bonitas da filha quando esta crescer.