… definitivamente, trabalhar no centro da cidade ainda vai acabar com meu pequeno salário de estagiária – que, acreditem, é mesmo pequeno.
As últimas aquisições que eu fiz com dinheiro-que-não-devia-ter-gasto:
* Meu mp3. É, não resisti e comprei um, pra compensar o meu que foi roubado já tem tanto tempo… pra pagar em quatro vezes no cartão, e que tem sido minha maior alegria, simplesmente porque ele tem bateria recarregavel! Nada mais de gastar quase dez reais com pilhas decentes, yey! \o/ xD
* Tent of Miracles. É. Comprei um livro do Jorge Amado em inglês, porque achei que seria bem interessante a experiência de ler uma tradução de um original em português – e eu nunca li Tenda dos Milagres em português. Vai ser uma experiencia profissional, digamos assim… Também comprei porque achei a edição bonita, e com coisas bem interessantes pra comparar tanto com o mercado de tradução quanto com o mercado editoral brasileiro. Por exemplo, nesse livro o nome da tradutora (Barbara Shelby) vem na capa. Agora, quem tiver livros de autores estrangeiros mais ou menos consagrados à mão, dá uma olhada e vê em quantos deles o nome do tradutor aparece na capa. As vezes, nem na contracapa.
E – ainda falando da tradução – eu ainda não comecei a ler o livro, mas só de dar uma olhada já achei o trabalho da tal Barbara Shelby bem interessante. No fim no livro tem um glossário de quatro páginas com os termos brasileiros que a tradutora optou por manter no original e explicar depois. Palavras típicas pra nós, mas que nos Estados Unidos (a edição é de Nova York) seria um problemão pra traduzir. As palavras vão desde agogô, atabaque, caboclo, cangaceiro, bumba-meu-boi, capoeira, pinga, pai-de-santo, Sinhá, pra terminar com terreiro, vatapá, Yansan e Yemanjá.
* As Minas de Salomão. Eu comprei porque tava barato e afinal já estava na hora de eu ler algo do Eça de Queiroz, só pra descobrir que o livro, apesar de ser vendido como parte da coleção “Obras Completas de Eça de Queiroz”, não é do Eça de Queiroz! O autor realmente é Rider Haggard, e o Eça traduziu o livro do inglês pro português lá por 1889.
Fiquei bastante surpresa com esse enfoque do tradutor praticamente sob holofotes. Essa tradução do Eça, mais a tradução pro inglês do Jorge Amado e mais a falta de referência as traduções no Brasil são três fatos que, juntos, dão bastante o que pensar. Já me imagino discutindo com a professora sobre a invisibilidade do tradutor, mas graças aos céus isso vai ser só quando as aulas voltarem. Enquato isso, eu aproveito os ótimos livros e encho o saco de vocês com pensamentos sobre a minha profissão ;D
E, apesar do post já estar bem grandinho, um último fato pra descontrair, e sobre o qual eu acho que a população masculina daqui vai gostar mais de falar: eu também ando achando que torcer pro Botafogo ainda vai me trazer graves problemas cardíacos. Putaquepariu, começar tomando gol, revidar, ver eles virando e conseguir o terceiro gol de empate aos QUARENTA E NOVE DO SEGUNDO TEMPO, assim não há coração que aguente, né André Lima?